Política

Como funciona a urna eletrônica?

Escrito por admin

Os brasileiros deverão se dirigir ao seu local de votação para escolher seus representantes através da votação eletrônica, mas como esta urna eletrônica funciona? Dessa maneira, é pertinente discutir como funciona a urna eletrônica.

O Brasil foi um dos primeiros países a arriscar uma votação eletrônica. Enquanto países tecnologicamente mais avançados como os EUA e Canadá ainda usavam papel, nós, aqui no chamado terceiro mundo, preferimos apertar botões para escolher políticos. O responsável pelo processo sempre foi o Tribunal Superior Eleitoral e ele começou a inserir o voto eletrônico nas eleições de 1996.

Naquele ano, apenas parte das eleições foi realizada eletronicamente, por falta de tempo em fabricar urnas o suficiente e também por ser uma fase de testes. Foi apenas nas eleições do ano 2000 que o país foi 100% coberto com urnas eletrônicas. Figurativamente falando, claro. Elas não caíram do céu.

Hardware

O design original da urna eletrônica já passou por diversas revisões e atualizações, mas a versão atual (modelo UE2000) é fabricado pela empresa brasileira FIC Brasil. A parte desmontável dos componentes é composta pelo terminal de votação e um terminal de atendimento.

O terminal de votação pode fazer qualquer calculadora científica atual se roer de inveja: ele conta com um processador X86, um visor de LCD e interfaces USB. Já o terminal de atendimento tem um leitor biométrico e um teclado, através do qual o mesário ativa o modo de votação.

Software

Já a parte que se xinga da urna é composta de uma versão do sistema Linux, criada por uma empresa autorizada pelo TSE. 180 dias antes das eleições, esse código é liberado para membros dos partidos políticos, da OAB e do Ministério Público, que o fuçam de cabo a rabo, procurando por bugs e falhas para reportarem ao tribunal.

Até 20 dias antes das eleições, o código final é apresentado novamente, junto com os manuais, documentação e executáveis. As hashes de todos os sistemas também são apresentadas aos membros e publicadas na internet, para verificação da assinatura digital dos arquivos.

Antes das eleições começarem, os dados da zona e da sessão eleitoral em que a urna está são carregados nela, além de dados dos futuros políticos. Os dados da votação são gravados com criptografia em um cartão CompactFlash e extraídos no final do processo para um pendrive USB. Dentro do pendrive ficam gravados um boletim da urna, o registro digital do voto, dados de quem não foi votar; para aplicarem a multa, claro; justificativas e arquivo.

Segurança e Fraude

Em 2009 o Tribunal Superior Eleitoral, confiante que tinha feito um bom trabalho no código-fonte, criou um desafio: convidou hackers a invadirem a urna eletrônica usando apenas seus conhecimentos técnicos e impondo várias restrições. 20 especialistas em segurança bateram suas respectivas cabeças no teclado durante 4 dias seguidos, tentando acessar os dados de teste dentro dos aparelhos.

Devido às restrições impostas pelo tribunal, nenhum deles teve sucesso, embora os testes tenham servido para aperfeiçoar a segurança da votação. Segundo alguns dos especialistas presentes, se eles pudessem usar de engenharia social ou de programas específicos, garantem que conseguiriam invadir o aparelho tão facilmente quanto tirar um doce de uma criança.

As eleições são um passo importante no governo do país e uma fraude nesse processo é considerado muito sério. Por isso o TSE elaborou diversos métodos de auditorias para garantir que nenhum voto seja fraudado. Um desses processos é a chamada votação paralela, que é descrita muito bem nesse artigo do Tribunal Regional de SC. A urna também conta com lacres e mecanismos de segurança que evidenciam se houve violação ou não, além das ditas hashes dos sistemas citadas acima serem conferidas antes da contagem dos votos.

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