Adoção tardia: como funciona?

Atualmente, considera-se adoção tardia aquela destinada a crianças que já tenham uma percepção maior de si, do outro e do mundo. O critério é não muito representativo, todavia se estima que a partir dos 3 anos de idade já seja considerada. Contudo, esse termo deve ser utilizado com cautela sendo esse um nome que já reafirma um padrão de família tradicional: um pai, uma mãe e um bebê. Essa família não é mais a norma, mas, mesmo assim, você continua com uma fila enorme de candidatos que só querem bebês. Enquanto isso, outras crianças vão sendo deixadas de lado.

A afirmação é confirmada pelos números: segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), existem atualmente cerca de 5,7 mil crianças e adolescentes aptos a serem adotados. Do outro lado, 33,5 mil pessoas estão computadas como pretendentes para adotar uma criança. O perfil mais procurado por elas? Bebês brancos e sem irmãos. A porcentagem dos candidatos que aceitam crianças por idade vai caindo gradativamente e, dos 8 anos em diante, passa a ser de menos de 1%.



Por que é assim?

Os motivos que levam a essa situação são muitos, mas adotados aos 8 e 9 anos, se sobressai o medo das pessoas do que significa trazer uma criança mais velha para a sua família ou aquela questão de o que essa criança vai trazer de bagagem para dentro de casa é muito forte. Na verdade, muito se fala sobre a criança, como ela vai se adaptar, sendo que 99,9% dos problemas que podem acontecer vêm da cabeça do adulto.

De fato, parece haver uma dissonância entre a expectativa dos pretendentes e a realidade. A maioria dos casais ficam presos na ideia do que eles consideram a criança ideal e não aceitam a possibilidade da criança real. Muitas pessoas querem que a criança venha como um papel em branco e ignoram que tudo o que já aconteceu com ela faz parte do que ela é.

Um dos grandes problemas que colaboram para isso é a tendência das pessoas de simplificar o processo da adoção. A adoção é uma situação que vem para dar conta de algum tipo de desencontro, seja na maternidade, seja na criança que perdeu um familiar ou que veio de uma situação de abandono, e para lidar com isso, as pessoas tentam simplificar aquilo que não é muito simples. A busca por generalizações é muito grande para minimizar as questões que devem ser feitas. Nesse sentido, adotar uma criança que já fala, já pensa, já acontece, causa medo.

Na prática, não existe nenhuma diferença legal na adoção de crianças mais velhas em relação à de bebês. O processo é burocrático, com muita documentação envolvida, mas independe da idade. Após a habilitação, cabe aos pretendentes aguardar a convocação do juiz para conhecer uma criança que esteja disponível e atenda aos parâmetros estabelecidos no processo de cadastramento.

Esse tempo de espera, no geral, acaba sendo muito longo devido ao número de restrições impostas pelos candidatos. Quando não há restrição de sexo, cor ou idade (além de vários outros critérios questionados durante o processo de cadastramento), a espera costuma ser bem menor. Quando a convocação acontecer, os pais em potencial conhecerão a criança ou adolescente indicado e, caso desejem levar a adoção em frente, entrarão com um pedido de guarda provisória -isso pode acontecer após alguns encontros, ou até mesmo no primeiro-, que, no futuro, poderá se transformar em uma adoção definitiva, conforme orientação do juiz.

A adaptação da criança com a nova família

De acordo com as leis de adoção, é obrigatória a preparação psicossocial dos pretendentes. Em muitos lugares, essa preparação pode ser feita por Grupos de Apoio à Adoção (GAA), ONGs geralmente formadas por pessoas que já passaram pelo processo de adoção. Muitas famílias optam por se juntarem a esses grupos até antes de darem início ao processo, para trocarem experiências, conhecerem melhor aquilo que os aguarda ou simplesmente receber apoio durante seu percurso. Esse acompanhamento pode trazer muitos benefícios, como a desmitificação de algumas expectativas irreais e a orientação de como lidar com a integração da criança à família.

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